Como gerir equipas de redes sociais em TELETRABALHO
Gravações e Backstage do Low Battery em remoto
O Low Battery é um projeto que tinha na minha gaveta desde 2015 ou 2016. Na altura eu era completamente vidrada nos conteúdos do The Verge e eles tinham, para além de muito conteúdos de tech reviews, também falavam, e falam, de inovação, cultura digital e de Internet. Era, e sou muito fã dos conteúdos deles.
Na altura, já trabalhava na Worten, com outras funções, mas já trabalhava, tentei começar com conteúdos tech review exclusivos no canal da Worten que na altura chamámos "Primeiras Impressões" e "Unboxing". Mas ainda não era isto. Na minha cabeça uma marca como a Worten, que queria ser autoridade no universo Tech, precisava de mais.
Daí nasceu a ideia do Low Battery, não tinha este nome ainda, mas nasceu a ideia de um Magazine de Tech e Cultura de Internet. Um programa num canal de Youtube de uma marca, e sim, as marcas podem ser criadoras de conteúdo, de bom conteúdo, sem serem aborrecidas e hardselling.
Mas isto é tudo uma construção. Fast forward para uns anos mais parte, eu já estava à frente das redes da Worten, tirei o projeto da gaveta, porque o timing era aquele. Nos meus primeiros dois anos nas redes da Worten, estivemos a construir, quase de raiz a presença da marca nestes meios. E no final do segundo ano, os astros alinharam-se e estava na hora de fazer acontecer.
Desenhámos o projeto em conjunto com a nossa produtora, a Madremedia, que também criou o naming e marca "Low Battery". Ia mesmo acontecer. E tínhamos do nosso lado um amigo e um parceiro que muito tem feito pela marca Worten, o Bernardo Almeida. Ele estava onboard neste projeto, e ia ser o meu co-host neste magazine.
Inicialmente, e porque não havia muito investimento, o programa começou por ser quinzenal. Estávamos a preparar tudo para arrancar em março de 2020 quando viemos todos para casa em teletrabalho por causa do bicho. E, com isso, muito provavelmente o Low Battery também ia ficar arrumado na gaveta. Tínhamos acabado fechar a marca, as rúbricas do programa, íamos preparar o estúdio... E viemos para casa. O sonho ia voltar para a gaveta quase de certeza absoluta porque as prioridades da marca iam virar-se para a adaptação ao novo contexto pandémico.
Tivemos muito trabalho pela frente e conseguimos que rapidamente o negócio se adaptasse ao novo normal. E, outra coisa, a marca decidiu que não ia deixar de apostar no digital. Pelo contrário, carregou mais.
Como curiosa que sou, nunca deixei de “picar” o que se andava a fazer por aí. E, comecei a reparar na forma como os publishers e os media se adaptaram ao novo normal. Eles gravavam as coisas em live ou remotamente. Vi imensos vídeos do The Verge, Omelete e até do Jimmy Fallon em confinamento. Se calhar o Low Battery poderia ir por esse caminho. Não era o que tínhamos planeado mas a maioria das coisas não são como nós planeamos.
Então, no dia 22 de abril de 2020, foi para o ar o primeiro Low Battery. Um episódio ao vivo, apresentado por mim e pelo Bernardo, a propósito do lançamento do Microsoft 365. Ele estava no seu estúdio, eu estava na minha casa, a malta da produtora, também estavam nas suas casas, e tudo se fez.
Os próximos episódios que fiz, que só fazia uma vez por mês porque era quinzenal, como vos disse, uma vez eu, uma vez o Bernardo, foram também gravados em remote. E, fomos sempre tentando melhorar os processos porque estávamos a ver que ia demorar até irmos para estúdio.
Ainda por cima, em junho de 2020, decidi vir para os Açores em teletrabalho. E comecei a gravar a partir daqui com a ajuda do Paulo Pereira, da Media 9. Precisei de ajuda porque gravar sozinha e transmitir para a produtora que estava em Lisboa, toda a logística era stressante.
Estive a gravar nos Açores, até setembro, quando regressei a Lisboa e fomos, finalmente, para estúdio. Gravámos uns quantos episódios em estúdio e, E, tinha ali comigo uma equipa que sabia o que estava a fazer, e eu já não tinha de decorar guiões porque... TELEPONTO! É mágico. Retira-me um peso enorme de cima.
Entretanto, voltei aos Açores, porque voltámos ao teletrabalho, Portugal continental voltou a confinar e acabou-se o estúdio outra vez. Tenho saudades do estúdio e das pessoas. É fixe termos a possibilidade de gravar em teletrabalho mas sinto falta de estar perto das pessoas.
Desta vez a coisa foi um bocadinho diferente porque fomos afinando melhor os processos. Mesmo porque, o Low Battery passou a ser semanal e o trabalhou duplicou, e vocês já me vão conhecendo, eu gosto de otimizar.
Então criámos um workflow que é mais ou menos este:
Fechamos os temas do episódio até, terça/quarta-feira. Debatemos as coisas para que esteja tudo afinadinho.
Quarta, ao fim do dia, a Mariana Santos, da nossa produta, a Madremedia, e a pessoa que me atura mais, manda-me um guião todo catita, e tão bem escrito e adaptado à minha pessoa que poderia ter sido eu a escrevê-lo. És linda, Mariana!
Na quinta-feira, temos reunião de equipa, com todos, Redes Sociais Worten e Produção, Madremedia, e depois dessa meeting, fico a rever o guião com a Mariana via call. Leio o guião em voz alta com ela como se já o tivesse a gravar. E vamos dando mais uns toques ao guião, corrigimos algumas coisas pelo caminho, adaptamos ainda mais à minha forma de falar, e voilá. Temos um script pronto.
Ao final do dia, vou para um estúdio improvisado, em casa de um casal amigo meu, o Marco Coelho e a Soraia Bettencourt, que fazem alguns traballhos em vídeo e foto sob o nome In Fairyland Productions. E, são eles que estou a chatear desta vez, para me ajudarem a gravar isto. O que até é fixe porque o sítio onde gravo está cheio dos fanecos do Marco que são coisas que ficam bem na filmagem. São dezenas de consolas, dezenas de jogos de todos os tempos e gerações, são bonecos de colecionismo. Ficam bem no shot.
O Marco e a Soraia montam câmaras, luzes e som do lado de cá. Via Discord temos a Mariana e o Rodrigo da Madremedia a acompanharem tudo via Live stream discord para garantir que ficam tudo ok, porque são eles que vão editar o episódio.
Depois é só carregar o script no teleponto, sim eu gravo com teleponto. Retira-me um peso enorme das costas. Posso não dizer exatamento o que está ali escrito mas ao menos garanto que não me dá uma branca e que a coisa fica mal. Retira-me esse stress e ansiedade de ter de decorar. E, não fica mal, porque a linguagem é a minha. Só que... Já está pré-escrita. Gosto dessa segurança.
Acabamos de gravar, meto tudo numa cloud e partilho com a Madremedia em Lisboa. E, são eles que tratam da magia da edição. E fazem do Low Battery aquilo que vocês depois vêem todas as quartas-feiras às 19h do continente e madeira, 18h nos Açores, no Youtube da Worten..
Dá muito trabalho mas estamos muito orgulhosos do projeto. Vemos que está a crescer de dia para dia e que as pessoas que nos assistem gostam do que estamos a fazer. E esquecem-se que estão num canal de uma marca porque... Poderia ser um conteúdo de um outro canal qualquer que falasse das mesmas coisas. É giro, pensarmos que as marcas podem ter esta capacidade de serem... Mais humanas.🙂
Este projeto tem tido algumas barreiras mas conseguimos todas as semanas fazer com que aconteça. Muitas vezes as barreiras estão na nossa cabeça, se fizer sentido, se quiseres mesmo, arranja-se maneira de as coisas acontecerem.