MINIMALISTA a trabalhar no mundo CONSUMISTA?!

Desde 2012, que tento levar uma vida mais minimalista. Quero com isto dizer que a quero simplificar de forma a conseguir focar-me mais e melhor nas coisas que realmente importam, a minha felicidade e a dos meus. E quando comecei neste processo, comecei por reduzir a quantidade de objetos que tinha na minha vida. Mais objetos significam mais distração, mais preocupação e menos foco, no meu caso, claro. E fui reduzindo ao ponto de aos dias de hoje ter apenas o que considero essencial. Quando deixa de o ser dou ou vendo.

Dou por mim, muitas vezes a pensar se não serei uma grande hipócrita. Afinal, uma pessoa que se diz minimalista, ou tentar viver uma vida mais minimalista, trabalha, de certa forma para o mundo do consumismo. Acabo sempre por chegar à mesma conclusão. Cada um sabe de si, e sabe como quer e pode gastar o seu dinheiro. O meu trabalho é mostrar-lhes produtos onde podem gastar o seu dinheiro. Se precisam ou não desse produto, não é um problema meu. Mas eu tenho de o comunicar o melhor possível. That is my job. Tenho envolver o consumidor com a marca da melhor forma que sei, contando uma história e fazendo conversa com ele para criar uma relação de proximidade e confiança com a marca. E isto, eu gosto. Adoro pensar e executar estes projetos de marca. Tento não pensar tanto na parte comercial e na possibilidade de estar a mostrar às pessoas produtos de que não precisam mas sim na parte de estar a criar uma relação com elas para que um dia, quando precisarem, lembrarem-se de nós, a marca em que confiam porque gostam dos nossos conteúdos e das pessoas que estão por detrás da marca a falar e a interagir numa base diária com elas. Porque um dia vão precisar, podem ter certeza. Não foi à toa que a Worten foi considerada uma loja de venda de bens de primeira necessidade. Todos nós precisamos de um frigorífico, de um fogão, de uma máquina de lavar roupa, de entretenimento, de ferramentas de trabalho e comunicação como é o caso do computador e de um smartphone. E quando precisarem, nós somos a marca.

Há coisas que não me agradam de todo nesta cena do consumismo. Não gosto de ver pessoas atropelarem-se numa Black Friday, nem de todo o ódio porque não há stock de Playstation 5. Isso faz-me muita confusão. Nem é pela parte do minimalismo, é mesmo pela falta de educação e de bom senso. Parece mesmo que as pessoas viram a boneca em algumas situações desse género, e pessoalmente, não gosto de fazer parte desse circo. Não gosto de dar palco a esse tipo de manifestações. Se a vossa felicidade depende de terem o último grito seja de que produto for, algo está errado na vossa vida. Não há PS5 que pague a felicidade de serem amados pelos que vos amam. De os verem rir e serem felizes. Não há nada que pague isso.

Acho que a Worten tem feito um grande trabalho de aprendizagem em lidar com este tipo de situações que tanto mancham o trabalho de quem está a criar "marca". Fazer, errar, aprender e mudar. Felizmente, tenho a sorte de trabalhar numa organização com esta mentalidade.

No entanto, não deixei de ser minimalista. Se me perguntarem, pessoalmente, se eu acho que precisam do último grito disto ou daquilo, a minha resposta será sempre... depende. Depende do objetivo dessa compra, da utilização que vais dar a esse objeto. Mas, no fim do dia, a decisão é tua. Para mim pode não ser útil, mas para ti ser a cena. Não me cabe a mim julgar. Cabe-me a mim mostrar que a Worten, da forma mais informativa e engraçada possível, para que queiras cá vir comprar.

Eu também sou consumista. Estou para aqui a parecer uma snob do minimalismo mas eu também gosto das minhas coisinhas. Gosto de ter um bom telefone, porque é fundamental para o meu trabalho, e sou capaz de trocar de telefone de dois em dois anos. Claro que não há um que entre sem que o outro saia. Não quero acumular "tralha", mas gosto de tech, é-me essencial e não é por ser minimalista que vou deixar de a comprar. Claro que primeiro vou fazer uma grande reflexão sobre a real necessidade de estar a querer comprar aquele objeto. Na maior parte das vezes acabo por não comprar porque chego à conclusão de que é um capricho ou que a finalidade que lhe ia dar pode ser alcançada de outra forma. Poupo uns trocos e não entra nada novo cá em casa para fazer monte. Ainda por cima a minha casa é pequena e eu gosto de espaço. Mas há coisas das quais não abdico. Gosto de ter o meu setup de produtividade bem catita, gastei uns trocos numa mesa que sobe e desce para não estar sempre sentada enquanto trabalho, comprei dois ecrãs, e mais uns gadgets e tech cenas para fazer os meus conteúdos. Eu também sou consumista. Mas lá está, gosto de pensar que sou ... ponderada.

Funny thing, sou muito pouco minimalista na minha abordagem ao trabalho. Estou a tentar mudar isto a todo o custo. Gosto de ir a fundo nos projetos e de fazer mais, e de fazer melhor. Mas com o tempo tenho aprendido que às vezes less is more. Que é algo que aplico na minha vida. Tenho urgentemente de o começar a aplicar mais no meu trabalho. Burnout não é uma cena fixe. Um dia também falamos sobre isso.

Isto para vos dizer que acho que ser marketeer e minimalista não é incompatível. Aliás, ajuda-me a puxar mais pela cabeça para criar histórias em torno dos objetos para que os consumidores percebam o valor que estes lhes pode trazer. Porque lá está, pode não servir para mim, mas há-de servir para alguém e cabe-me a mim chegar a esse alguém com o melhor conteúdo possível.

No fim do dia, onde quer que estejas, vais sempre vender algo. Que ao menos sejas feliz a fazê-lo. Que ao menos leves valor aos teus consumidores.

Espero que tenham gostado do conteúdo e de me conhecer um pouco melhor, como pessoa minimalista ou que tenta viver uma vida mais minimalista e como profissional de Marketing.

Disclaimer: O texto deste artigo é, literalmente, o transcrito do script do vídeo. Peço, desde já, desculpa pelas gralhas e pelo português mais atabalhoado.

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