O meu ano de 2020 foi arruinado...
Hoje, vou falar-vos do meu ano de 2020. O fantástico ano de 2020. Not!
Eu tinha uma série de planos e de ações em que ia participar, um série de problemas que estava em processo de os conseguir resolver ou atenuar e... puft! Foi tudo por água abaixo. Ou, talvez não.
No início de 2020 tudo parecia cor-de-rosa. Ou, pelo menos não estava numa cor má.
Eu tinha no ar primeira temporada do meu podcast e tinha planos de começar a gravar uma segunda. Ia começar a dar palestras mais à séria, e já tinha alguns eventos fechados, alguns fora de Portugal Continental, queria começar a dar aulas e já tinha feito alguns contactos nesse sentido.
Tinha também outros assuntos pendentes mais pessoais por resolver como o a minha fobia de andar de avião e a minha ansiedade que tinha voltado no final de 2019 após quase dois anos de sabática.
Em 2020, eu ia tratar disso tudo. Aliás, já tinha começado no final de 2019 com início da terapia de vôo com a "Voar Sem Medo". Que é um processo.... Tudo é um processo. E o meu foi interrompido porque... Pandemia. Lockdown. E aviões no chão.
Em termos de palestras e aulas, o ano até tinha começado bem. Em fevereiro fiz a minha primeira participação na aula de Influencer Marketing da Carla Rodrigues, na Lisbon Digital School. Foi o meu primeiro "teste" como formadora. Correu bem. Adorei. Queria repetir.
As palestras também. Em março, dei a minha primeira de 2020, no Encontro Nacional de Estudantes Açorianos, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Na semana em que apareceu o primeiro caso de covid em Portugal. Foi uma palestra que adorei dar. Foi sobre o meu percurso pessoal e profissional desde as ilhas até ao continente e do porquê de não ter regressado aos Açores. Foi muito fixe. Muito emotiva. A minha mãe veio de propósito dos Açores para assistir. Estava rodeada de ilhéus, como eu, estudantes, com quem sempre quis partilhar o meu percurso porque ele não foi linear. E isso foi ok. Foi um sonho realizado.
Mas passado uma semana estávamos em casa, em teletrabalho. E dali a duas semanas foi declarado o estado de emergência devido à pandemia covid, e estávamos em confinamento por dentro indefinido e indeterminado. E, os meus planos e sonhos e necessidades que tinha para 2020... Tinham ido por água abaixo.
Todos os eventos presenciais, foram cancelados. Adeus aulas e palestras.
O problema do medo de andar de avião... já falámos anteriormente. Ficou em águas de bacalhau.
A minha ansiedade que já se estava a manifestar fortemente no final de 2019. Escalou de forma impressionante em 2020 durante o primeiro lockdown. A minha sorte, é que duas ou três semanas antes do país fechar eu tinha começado a fazer psicoterapia com um psicólogo fantástico e que foi um verdadeiro pilar para a minha sobrevivência durante um ano que foi tão dificil. Posso dizer-vos que desde dezembro de 2019 ate à primeira semana de outubro de 2020 não tive um único dia sem ansiedade. Um! O facto de ser acompanhada ajudou-me a ter controle sobre a coisa para que não escalasse para o pânico. Algo que já me tinha acontecido algumas vezes mas graças a deus em 2020 não aconteceu. Esteve sempre no limiar de... Mas com as ferramentas que me deram na psicoterapia tinha forma de repor os meus níveis de ansiedade. Tinha era de estar constantemente a repo-los porque estavam sempre a voltar. Foi assim, todos os dias até à data que vos referi. Um dia faço um vídeo a falar-vos mais especificamente sobre este tópico e que formas de ajuda podem e devem procurar.
O teletrabalho... Temos mesmo de falar do teletrabalho. Eu sou fã. Sou uma tipa tem grande dificuldade em concentrar-se e que gosta da sua bolha quando tem e se concentrar. Sou também introvertida e não gosto de sítios fechados com muitas pessoas a falarem ao mesmo tempo e a passarem constantemente de um lado para o outro. Não gosto da conversa de circunstância, nem da sensação de que tenho de a fazer para ser socialmente aceite. Gosto da minha bolha. E de falar só com quem quero falar e com quem gosto de falar. Por isso, sou fã do teletrabalho. Mas tornou-se demasiado. Até eu que gosto da minha paz e do meu sossego senti falta dos meus colegas e das nossas rotinas. Concluí que preciso de teletrabalho para alguns momentos específicos, principalmente quando tenho de me concentrar. Mas que nos outros momentos, em que temos de planear e de pensar em conjunto, senti falta desse contacto.
No início do teletrabalho não percebi logo o quanto precisava desse equilíbrio. Estava mega feliz de poder trabalhar em casa. E a verdade é que a minha produtividade triplicou ou quadruplicou mas também durante uns tempos, enquanto estávamos todos a tentar perceber como ia funcionar isto do teletrabalho, não existiram barreiras. Trabalhámos muito para além daquilo do que são horas saudáveis, e eu própria não soube por barreiras em mim mesma e desligar. Sentia que tinha de estar sempre disponível e preparada para dar tudo. Era a minha obrigação. Percebi mais tarde que a minha obrigação era ter equilibrado mais as coisas e ter descansado mais para poder estar o melhor possível para fazer o meu trabalho. Mas acho que todos nós, que passámos e estamos a passar por isto do teletrabalho nos sentimos assim, no início. Sem sabermos bem o que fazer senão... estar disponível e fazer o que for preciso, seja a que hora seja. Fui irresponsável para com a minha saúde física e mental. Com isto tudo aprendi que estar a trabalhar de casa não é sinónimo de estar sempre disponível. Há barreiras, há limites e temos de os saber impor a nós próprios. Pelo nosso bem estar.
Portanto, mais horas de trabalho, menos horas de sono, mais ansiedade. O indivíduo ansioso precisa de rotinas e das suas horas de sono para manter aquele equilíbrio natural dos níveis de ansiedade. Isto é verdade para tdos nós. Dormir é preciso.
Os meus projetos extra Worten tinham sido todos cancelados, só me restava o podcast. Estava a lançá-lo sempre que podia e isso estava a dar-me um enorme gozo. Só que com as pestanas queimadas como já estava de tudo o resto. Foi too much para mim. A meio da temporada tive de pedir ajuda com a edição do programa porque não estava a conseguir.
Para mim, 2020 ia ser um ano perdido. Ia ser só trabalho, trabalho, trabalho, e os meus restantes projetos e planos iam ficar on hold.
A minha família ia ficar on hold. Eles lá nos Açores, e eu cheia de saudades deles a pensar que nunca mais os ia ver porque não havia voos para os Açores, o espaço aéreo chegou a estar fechado se não estou em erro. E a verdade é que o futuro era incerto. E as saudades apertavam mais.
Tudo o que vos referi até agora, pensei seriamente que ia ficar on hold. Só que não.
As palestras foram canceladas, as presenciais. Apareceram as digitais. E, fiz mais palestras no digital do que as que tinha agendadas para o mundo físico, pré-pandemia.
Realizei o meu sonho de dar aulas, também no digital. Depois de várias presenças em aulas como convidada para dar parte de um módulo ou outro, a Lisbon Digital School convidou-me para voar solo, como formadora dos módulos de Twitter Marketing e de Social Media.
Consegui concretizar tudo a que me tinha proposto para 2020. Não da forma que estava à espera mas aconteceu.
O teletrabalho trouxe mais algumas coisas boas. Mais à frente pude voltar à minha terra, a ilha Terceira, nos Açores, um verdadeiro paraíso na terra. Onde houve poucos ou nenhuns casos de covid. Estavávamos numa bolha de tranquilidade. E, graças a isso pude estar com a minha familia e com os meus amigos como não estava desde os tempos da faculdade. Pude ver o meu sobrinho crescer de dia para dia. Isto foi o melhor do meu 2020. Também me casei. Foi fixe. Mas não mudou a minha vida. Assinámos uns papeís e continuámos a ser quem erámos.
Tive oportunidade de fazer algo que já queria experimentar há muito tempo mas ainda não tinha conseguido: Um Social Media Detox. Fiquei quase 3 semanas sem acesso a redes sociais e notícias via web. Desinstalei tudo. Só fiquei com whatsapp, messenger para falar com o meu pessoal. De resto, nada! Fui aproveitar. E sabem que mais? Ao fim desse tempo de detox, quando voltei a ligar, ESTAVA TUDO IGUAL! E andamos todos com o chamado FOMO (Fear of Missing out). E se perdermos? Qual é o problema? Nenhum. Tudo invenções do nosso cérebro fruto de um mundo onde somos bombardeados com informação.
2020, e a pandemia veio ajudar-me a pôr muitas coisas em perspetiva. O tempo passa demasiado depressa e que eu não estava a aproveitar o melhor da vida. É fixe construir uma carreira e a tua vida profissional correr bem mas aprendi a valorizar ainda mais a minha família e o quanto preciso deles. É importante não perdermos o contacto connosco próprios. Temos de nos mimar. E de mimar os nossos. Precisamos muito uns dos outros. Percebi isso. E eu tive direito a isso. Fez-me um bem danado. Costumam dizer que são as pequenas coisas. Estas são as grandes coisas. Isto é tudo o que interessa. O estarmos bem. Estarmos com os nossos. Vivermos em paz com quem somos e com as escolhas que fazemos. Só assim estaremos em condições para ajudar quem seja, o próximo, a organização para quem trabalhamos etc...
Terminado 2020, o meu sentimento era de gratidão. Não pela covid, claro. Mas pelas oportunidades que agarrei graças às circunstâncias da covid.
Às vezes as coisas não correm como queremos mas isso não quer dizer que corram mal.
É tudo uma questão de hábito. E, felizmente, nós, os humanos, temos esta capacidade fantástica de nos adaptarmos e de nos reinventarmos.
Disclaimer: O texto deste artigo é, literalmente, o transcrito do script do vídeo. Peço, desde já, desculpa pelas gralhas e pelo português mais atabalhoado.