Uma semana na Clubhouse! Primeiras Impressões.
Não se fala de outra coisa!
A Clubhouse está aí. Eu já lá estou. E não, não estou a medir pilas com quem ainda não está por lá mas a verdade é que para já esta experiência está vedada a alguns. Vou falar-vos do que tem sido a minha experiência, até agora, nesta nova rede social e de como vejo a coisa a evoluir.
Quando escrevi este texto estava há uma semana na Clubhouse. Tive de fazer uma enorme alteração na minha vida: Passar de Android para iOS. - eu, uma Google Fangirl. Tudo porque a app, para já, só está disponível para iPhone.
O que é isto da Clubhouse? É uma app/rede social em que as pessoas comunicam apenas em canais de áudio, em eventos organizados por temas. A app foi lançada em abril de 2020, e tinha no final do ano cerca de 600.000 utilizadores. Os números revelados a meados de fevereiro última semana dizem que já lá estão 6 Milhões.
Em Portugal, ou pelo menos é essa a perceção que tenho, é de que a coisa chegou cá em força no final de janeiro. Que foi quando, um amigo meu, o Rui Rocha, me falou disto e guardou um convite para mim.
Assim que te ligas à Clubhouse, os teus contactos que já lá estão, recebem uma notificação para te fazerem uma sessão privada de boas-vindas. Quase como um ritual de iniciação a um culto secreto.
Como é que a Clubhouse está a conseguir escalar na tabelinha do buzz e do hype? Muito simples. Um dos truques mais antigos do Marketing. A exclusividade. Ao manterem, em primeiro lugar isto exclusivo a iOS, e por convite. Só quem já lá está, e tem convites, pode convidar mais pessoas para a rede. O Gmail fez isto nos seus primórdios, os primeiros modelos dos telefones da OnePlus também foram divulgados desta forma. O fruto proibido é sempre o mais apetecido. E, ninguém quer ficar de fora da trend. Nosso Senhor nos livre da infoexclusão. Estou a extremar. Ninguém vai morrer se não tiver Clubhouse. Aliás, porque o Twitter já lançou uma feature muito semelhante que se chama Spaces, e já se fala no Facebook estar a preparar algo do género.
Quem é que está na Clubhouse? O Elon Musk, a Oprah, o Kevin Hart, o Youtuber MKBHD também já passou por lá. Em Portugal, já estive em vários eventos onde estavam celebridades como o Rui Maria Pego, Wandson, a minha querida Diana Duarte. Estão lá muitos jornalistas e malta de marketing. A malta de Marketing farta-se de criar canais para falar de Marketing. Já existem canais com o título, "Fartos de falar de marketing".
Frequentei alguns eventos, como ouvinte e como speaker. Sim, porque quando entras na app, personalizas o teu feed com temas do teu interesse. E, nesse feed aparecem essas salas de conversa/eventos sobre os temas que tu escolheste.
Participei num evento que estava a iniciar a Diana Duarte à app, Participei noutro com o nome "Marketeers de Portugal". Noutro que era de meditação mas o que gostei mais foi um evento com Youtubers brasileiros discutiam o algoritmo do Youtube. Há temas, e grupos, para todos os gostos. É um sítio onde se pode aprender e partilhar de forma descomplexada e descontraída.
As redes sociais da Worten também já criaram o seu primeiro evento, não oficial Worten, chamado “Fogo no parquinho”. É um evento onde se fala de redes sociais, no geral, e das trends de Internet que rolaram nessa semana. Tivemos alguns convidados especiais, e surpresas como a presença do influenciador João Jonas, com quem já trabalhámos.
Por falar em influencers, no início achei que esta seria uma plataforma para podcasters, jornalistas e comunicadores mais ligados aos media, mas não. Depois de ter assistido a alguns eventos com influenciadores percebi que aqui também há espaço para todo o tipo de criador de conteúdo com poder de influência.
Na minha opinião, a Clubhouse, ou o conceito desta rede, pode ser uma espécie de upgrade ao formato podcast. Só que ao vivo, muitas vezes freestyle, e, com a possibilidade da audiência interagir em real-time no conteúdo. Um bocadinho como aqueles programas em que ligas para a rádio e dás a tua opinião sobre o tema que está a ser discutido só que com o facilitismo do digital. As marcas e os influenciadores podem ter aqui uma rede social com uma ferramenta muito poderosa. A possibilidade de interação muito direta com as suas comunidades.
Os influenciadores podem abrir canais de conversa para fazerem AMA (Ask me anything) com os seus fãs, ou canais de conversa para falarem sobre temas dos quais já tratam nas outras plataformas. As hipóteses são infinitas.
As marcas podem lá estar com programas próprios, com temas dos seus eixos de comunicação. Ou, apoiando outros criadores de conteúdo com a introdução de publicidade em formato semelhante ao live copy da rádio. Isto porque, para já, a Clubhouse é uma app livre de publicidade.
Relativamente aos perfis que lá estão, não vejo para já a app ser usada para as pessoas irem para lá destilar ódio. Há sempre pessoas mal educadas e sem noção, é um facto. Mas é mais fácil escrever numa caixa de comentários do que falar para uma audiência. Acho que as pessoas serão mais controladas, como no LinkedIn, por exemplo.
Para já, o conteúdo criado nesta rede social, morre nesta rede social. Ou seja, as conversas tidas nas salas de conversação são eliminadas depois de terminado o evento. A Clubhouse quer o seu conteúdo no momento e em exclusivo. Se perderes, perdeste. Azar.
Como podem ter percebido pelos meus comentários, a minha experiência com esta rede social tem sido boa. Pelo menos até agora. Por favor, não a estraguem. Infelizmente, o ser humano arranja sempre forma de corromper estas cenas e usá-las para o menos bom. Por favor, não a estraguem.
Este hype pode ser momentâneo. Acredito que é muito contextual porque está muita gente confinada. Amanhã, a Clubhouse pode ser comprada por outra gigante ou então desaparecer completamente das nossas vidas como tantas outras apps. Isto é o digital. É tudo há velocidade da luz.